Quem foi, foi (não fui).
Ode to Sad Disco / Sleep With Me / Riot in My House / Phantasmagoria Blues / Crawlspace / Harboview Hospital / The Gravedigger’s Song
Quem foi, foi (não fui).
Ode to Sad Disco / Sleep With Me / Riot in My House / Phantasmagoria Blues / Crawlspace / Harboview Hospital / The Gravedigger’s Song
The Evils of Rock & Roll / Superstar / The Game / Neuropsychopathic Eye
A partir de hoje — e após este post —, declaro que a hipsterização deste blog tornou-se oficial.
Na falta de um Réveillon mais bem planejado, comecei, sob a chuva do último dia do ano, a fazer um top 10 bem do vagabundo. Queria saber quais foram os discos que eu mais ouvi em 2011 e, como base, usei a relação do Last.fm para os ábuns mais executados nos últimos 12 meses.
Já aviso que aqui não há sequer um parágrafo emocionado; deixemos as sinestesias e demais cacoetes para os críticos musicas. É só uma lista, oras.
Conheci o Parliament numa feira de vinil. Por 15 reais, levei o Gloryhallastoopid pra casa — disco, encarte e a assinatura “Jackson Ferreira” bem no meio da capa. Naquela época, o meu único contato com o P-Funk tinha sido através do Maggot Brain, do Funkadelic, o que foi suficiente pra me fazer comprar o disco do Parliament. E o Gloryhallastoopid me levou ao Mothership Connection, que me levou ao The Clones of Dr. Funkenstein. Ainda me arrependo de não ter visto o show do George Clinton ano passado, no festival Black na Cena.
Trilha sonora para o longa La Vallé, Obscured by Clouds foi gravado em ridículas duas semanas. Eu não consigo nem terminar um livro nesse tempo, quem dirá gravar dez músicas para um filme. Gosto bastante desse disco, e na minha pequena lista mental de melhores do Pink Floyd encaixo Obscured em uma posição bem favorável.
Até hoje, The Creek Drank in the Cradle foi o único disco que eu ouvi desse hippie caipira chamado Samuel Beam. Gostei tanto dele que resolvi nem ouvir mais nada, só pra não perder a magia. Um disco bonito demais. Não sabia que hippies conseguiam ser tão doces.
Se tivesse ouvido Strange Arrangement no momento certo, provavelmente não teria feito o cu doce que fiz pra ir ao show da Amy Winehouse no começo de 2011, quando ele fez um dos shows de abertura. Aposto que Isaac Hayes curtiria esse disco.
♫ The Ills
Mais uma vez o senhor George Clinton me punindo. Maggot Brain foi meu disco preferido do Funkadelic só até eu descobrir este aqui, que é lindo demais. Não consigo não mexer a cabeça ouvindo a faixa-título. Não sou de ficar recomendando sons, mas One Nation Under a Groove merece todo o seu carinho, meu amigo.
Clutchy Hopkins é tipo um Banksy da música. Difícil encontrar detalhes sobre ele, exceto informações bem pertinentes como supostas viagens que Hopkins fez ao redor do mundo, de mosteiro Zen a passagens por Índia e Nigéria, para entender melhor a sua relação com a música. Enfim, mais um drogadão. Baixei Music Is My Medicine por alguma indicação, e gostaria de agradecer você, amigo desconhecido, por me apresentar este disco.
Um dos meus álbuns favoritos nos últimos tempos. Shuggie Otis demorou quase três anos pra finalizar Inspiration Information, um disco tão bonito e tão bem arranjado que justifica um tempo de gravação extenso desses. Reza a lenda que, após o lançamento de Inspiration, Otis foi convidado para participar da próxima turnê mundial dos Rolling Stones. Ainda não decidi se o chamo de vacilão ou de sábio.
Simon Green, também conhecido como Bonobo, é um músico e DJ inglês, e é isso que sei sobre o cara. Aliás, sei também que Days to Come e Dial ‘M’ for Monkey, seus discos anteriores, são muito bons, mas não tão bacanas como esse aqui. Downtempo, trip-hop, foda-se, a preguiça de encaixar Black Sands em alguma categoria é bem grande. Melhor ouvir o disco mesmo.
♫ Eyesdown
Brothers parece ter sido o disco que afastou um pouco o Black Keys daquele som dependente do blues. Um pouco extenso, acho eu, mas um álbum muito bom, só superado pelo novo disco da banda, El Camino. Meio cedo pra dizer, mas já tou achando que esse vai facilmente entrar pra lista dos mais ouvidos em 2012.
Único disco de 2011, The Hunter ocuparia a mesma posição se esta fosse uma lista dos melhores do ano. Saiu a punheta, entraram as novas influências (que já foram se mostrando em Crack the Skye) e a banda fez um disco tão bom, tão ajeitado que foi difícil não ouvi-lo com força. É o Black Album do Mastodon.
♫ Stargasm
Ninguém com mais de 20 anos escuta Nevermind regularmente, do começo ao fim, de Smells Like a Endless, Nameless. Ninguém deveria, pelo menos. Da última vez que fui ouvir, desisti quando encontrei meu vinil quebrado ao meio, tragédia essa que não faço a mínima ideia de quando ocorreu, tamanha era a solidão da bolachita. As comemorações pelos 20 anos me pareceram uma boa desculpa pra apreciar o disco, ao vivo, muito tempo depois de ter parado de usar All Star caindo aos pedaços. Para a perfeita experiência, tudo que precisei fazer foi tomar cuidado pra não olhar os comentários dos vídeos no YouTube.
Acabei lendo um “Grunge is not dead because Kurt Cobain is the best”, mas foi meio que sem querer.
Tentei convencer meu amigo Pedro, que já mora fora do país há algum tempo, a desistir do Wacken, o tradicional festival alemão, e dar uma chance ao Hellfest Open Air, marcado para os dias 17 a 19 de junho, na França. Falei que o Wacken deste ano tava parecendo maratona de banda cover em bar de metal, comentário que me obrigou a retrucar as palavras grosseiras que recebi em retorno citando algumas boas apresentações que o Hellfest ofereceria, como Rob Zombie, Ozzy e Iggy Pop com os Stooges. Isso fora Down, Corrosion of Conformity, Melvins, Electric Wizard, Kyuss Lives! e outros nomes de menor importância. Então percebi que estava discutindo sobre festivais de heavy metal, que é meio como debater se é melhor engolir um pastel de Sonho de Valsa ou um crepe suíço recheado com Baton, e isso me fez pensar que o mais interessante a fazer era ficar quieto mesmo.
Espero que esses pouco mais de 60 minutos de Melvins tenham resumido bem o Hellfest. Show grosso, bruto, com dois covers de Alice Cooper (Second Coming & Ballad of Dwight Fry) e uma pequena participação de Phil Anselmo, que não ficou contente apenas em apreciar o show de bico calado e decidiu pular na bateria de Dale Crover pra mostrar que não manja bosta do instrumento.
Hung Bunny / Roman Bird Dog / The Water Glass / Evil New War God / It’s Shoved / Anaconda / Queen / Second Coming / Ballad of Dwight Fry / Sacrifice / Hooch / Honey Bucket / With Teeth / Sweet Willy Rollbar / Revolve / Night Goat
Se faltava alguma coisa pra justificar outra ida, outra possibilidade de passar mais uma vez por toda a bagunça que definiu o festival sustentabilidöido SWU no ano passado, bem, agora não falta mais: o Down foi confirmado no terceiro dia do evento, ao lado de Faith No More, Primus, Sonic Youth e Megadeth (que toca em qualquer lugar, então não conta). Agora é só aguardar para ouvir Lifer ao vivo e, de preferência, dar de cara com a mesma quantidade de seios felizes que o vídeo acima nos oferece.
Amy Winehouse tinha muito o que aprender com esse camarada chamado Phil Anselmo. Amadora demais.
Não chegou a ser um dilema: entre pagar 20 reais a dose de whisky em São Paulo e ter que dividir espaço com fã do André Matos em Varginha, preenchi sem dó a comanda do Manifesto Bar. Pouca gente, lugar pequeno e aquela sensação de que o bar paulista é realmente um lugar bem cagado, desses que fazem competição de melhor guitarrista valendo videoaula autografada pelo Andreas Kisser.
Mas que grande felicidade ter visto o Cathedral ao vivo.
Sempre gostei de criar músicas. Faço isso até hoje, o que não quer dizer que faça bem. Quando era menor, pegava a Epiphone Les Paul Special do meu irmão, aquele grande pedaço de fezes com cordas, e me ocupava por horas e horas gravando fitas cassete com as melhores composições que um moleque de 15 anos pode oferecer. O problema, naquela época, estava na ausência de bandas brasileiras como referência, fato que me obrigava a 1) escrever letras com aquele inglês de videogame, 2) usar alguma música como base (fiz uma bela canção em cima da letra de Baba O’Riley, por sinal bem melhor que ela) ou 3) gritar qualquer bosta, o que era bem conveniente para alguém que tinha como um dos maiores ídolos Kurt Cobain.
Meu objetivo aqui é simplesmente catalogar tudo que eu possa usar em um futuro não muito distante. Se algum dia eu cansar do mundo mágico do HTML / CSS / WordPress, tenho aqui nessa Biblioteca de Alexandria, que pretendo lentamente construir, uma forma de sobreviver com dignidade.
Vamo que vamo.

Nessa saga progessiva de pelo menos 14 minutos, a Terra é invadida por alienígenas cobertos por uma pele semelhante a um prepúcio de um metro e trinta de comprimento. O governo dos EUA convoca os melhores médicos do planeta para a execução da maior frenuloplastia que se tem registro. Por baixo da incômoda camada de pele, anões. Eles afirmam ter vindo em paz.
Um homem com fetiche por axilas descobre, após oito anos de tara louca, que enjoou de sovacos. Acaba, numa noite mal dormida, sonhando com uma virilha dourada e vê nela a esperança de uma nova vida. Resolve mudar totalmente sua vida. O homem deixa a mulher, vende suas coisas e viaja o mundo em busca do prazer sem limites.
Casal escatológico, entre a recepção de um e outro convidado do casamento da filha, resolve dar uma rapidinha num dos cômodos do enorme espaço alugado para a cerimônia. De volta ao salão de festas, a filha sente falta da gravata do pai. “A desastrada da sua mãe derrubou comida nela”, responde rapidamente o senhor.
Reza a lenda que, lá em 1995, o Pearl Jam comprou algumas horas de satélite (ou alguma parada do tipo, vai saber) para poder transmitir o que foi chamado de Self Pollution Radio, que nada mais era do que uma enorme programação de 4 horas e meia de música da mais alta qualidade. Para a empreitada, a banda resolveu chamar toda aquela maloqueirada de Seattle do final dos anos 80 / começo dos 90 pra conversar, atacar de DJ, trocar figurinhas, fazer um som e, como de costume dessa galerinha da música, usar as mais variadas drogas recreativas. Estavam lá Soundgarden, Mudhoney, o projeto paralelo Mad Season e até Krist Novoselic, ao vivo, para quem quisesse transmitir e quem quisesse ouvir. Classe A.
Aí que eu tinha um bootleg do Pearl Jam exatamente dessa transmissão, comprado naquele Mercado Livre pré-Thiago Tanaka. No final do CD, de lambuja, três músicas do Soundgarden, também do Self Pollution, incluindo uma demo de Fell on Black Days que, de tão diferente da versão original, parecia mais uma raridade qualquer do Budgie que de fato uma música composta pelo Chris Cornell. A surpresa foi encontrar apenas hoje, milênios depois, um registro em vídeo dessa pequena gema.
E o coração se enche mais uma vez de alegria.
O seu jogo favorito lentamente ia se transformando. De oito escolhas você passou para doze, e dessas doze para dezesseis. Você vê o nascimento dos super combos. Eles nada mais eram que os golpes normais repetidos algumas vezes, mas aquela barrinha gritando SUPER, assim mesmo, em letras maiúsculas, já encantava.
E mesmo gostando daquele efeito maluco no fundo da tela ao finalizar seu inimigo com um especial, você já simpatizava com o truque para selecionar o Ken original, vermelho, do jogo anterior. Aquele chute forte era clássico demais pra ser abandonado. E por mais prazeroso que fosse desferir aquele Shoryuken com soco fraco só pra se manter a uma boa distância, ter a opção de meter o calcanhar na cara de um adversário era reconfortante. Uma troca mais do que justa.
Finalmente, o avião voa até a Tailândia, seu último e já conhecido destino. Porém, dessa vez, uma combinação então bizarra de resultados faz um lutador invadir a tela e espancar, sem esforço, o líder da organização criminosa Shadaloo, M. Bison. Rapidamente, você olha para os lados, vê amigos, conhecidos e viciados aleatórios, e procura alguém que consiga explicar que porra acabara de acontecer.

Ninguém consegue.
Mágico. O único adjetivo permitido aqui.